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Comunicar saúde de uma forma icónica

Atualizado: 2 de fev. de 2023

Estás pronto para descobrir como os ícones podem mudar a comunicação na área da saúde? Melhorar a navegação nos serviços de saúde e facilitar a comunicação com pessoas com menos literacia em saúde são apenas algumas das vantagens que vais ficar a conhecer em detalhe. E já te falei nalguns segredos e truques que uso quando trabalho com ícones? Vais aprender tudo isto já a seguir 😉



O nascimento de um ícone

Os ícones têm sido usados há séculos para comunicar ideias e informações, e seu uso na área da saúde não é exceção. Mas qual é a história por trás do uso de ícones na área da saúde? Os primeiros exemplos conhecidos de ícones na área da saúde datam do antigo Egito, onde os hieróglifos eram usados para representar procedimentos e tratamentos médicos.


Alguns anos mais tarde há uma pessoa que quero que conheças: Otto Neurath, um filósofo, economista e sociólogo austríaco que também gostava imenso de hieróglifos. Por volta de 1930, Otto Neurath, Marie Neurath e Gerd Arntz integravam a equipa ISOTYPE - International System of Typographic Picture Education. Foi o nascer daquilo a que hoje chamamos pictogramas, em que cada elemento representa uma determinada quantidade. Pictogramas? Ícones? Infográficos? Afinal é tudo a mesma coisa ou não?


Ícone - Elementos gráficos simples, que parecem-se exatamente com aquilo que representam.
Símbolo - Elementos gráficos que representam uma ideia, que até pode ser abstrata.
Logótipo - Representação visual de uma marca.
Pictograma – Um tipo de gráfico que usa ícones para representar dados.
Infográfico - Combina vários ícones e/ou ilustrações, para representar informação de forma visual.

Mas vamos focar-nos na área da saúde e nos dias que correm. Hoje, os ícones são usados em uma ampla variedade de serviços de saúde, desde hospitais, centros de saúde, clínicas, farmácias, entre outros. Eles são usados para comunicar informações sobre procedimentos médicos, tratamentos e medicamentos, bem como para ajudar os pacientes a navegar pelos serviços de saúde.



Boas práticas sobre ícones na área da saúde

Na área da saúde, uma comunicação clara e eficaz é vital. A falta de comunicação pode levar a confusão, frustração e até mesmo danos na saúde.


Os profissionais de saúde têm o poder de melhorar a comunicação com seus pacientes e clientes incorporando ícones na sua prática diária. Os ícones são uma linguagem simples e universal que pode superar as barreiras linguísticas e ajudar a transmitir informações complexas de maneira clara e facilmente compreensível. Mas como podemos garantir que os ícones são eficazes neste processo? Aqui estão sete das melhores práticas sobre o tema:

  1. Ter em consideração possíveis significados inerentes ao ícone. Por exemplo, ícones de estrelas são frequentemente utilizados para simbolizar avaliações, favoritos, entre outros.

  2. Apostar na simplicidade. Frequentemente os ícones são utilizados em tamanhos reduzidos e deve ser possível de os identificar facilmente nessa situação.

  3. Utilizar ícones que sejam reconhecíveis. Num estudo que comparou vários ícones produzidos durante a pandemia de COVID-19 verificou-se que os ícones que mais se assemelhavam à realidade eram mais compreensíveis. Isto pode ser feito através de testes com o público-alvo, pesquisas ou grupos focais.

  4. Ser consistente e ter ícones padronizados. Os sinais de trânsito são facilmente compreendidos em todos o mundo pela sua padronização. Ícones mal projetados podem, na verdade, confundir e enganar seu público, em vez de ajudá-los.

  5. Considerar a utiização de uma ou várias cores. Por exemplo, ao criar ícones para localização em um hospital, é importante usar imagens e cores familiares que sejam consistentes com a marca do hospital.

  6. Não é preciso inventar a roda. Não precisas de construir ícones do zero. Aposta em ícones que já sejam utilizados e reconhecíveis pelas pessoas.

  7. Regra dos 5 segundos. Se demorares mais de 5 segundos a pensar num ícone, provavelmente não é o mais adequado.


Em 2019 o NHS inglês deparou-se com um problema no seu website. Aperceberam-se que tinham mais de 30 ícones com diferentes formatos, cores e tamanhos. Após uma análise quanto à sua usabilidade, este número foi reduzido para 15 e o seu design foi uniformizado. Exemplo disso foi a passagem do ícone de menu tipo hambúrger, convertido em texto, para facilitar a sua compreensão.


Seguindo essas práticas recomendadas e diretrizes, podes criar ícones que não sejam apenas esteticamente agradáveis, mas também eficazes na comunicação de sua mensagem e na promoção de melhores resultados de saúde.



Comunicar para pessoas com baixa literacia em saúde através de ícones

Milhões de pessoas em todo o mundo têm dificuldades em compreender informações sobre saúde, sobretudo aquelas com baixa literacia em saúde. Vão ter mais dificuldade em compreender informações complexas e em tomar decisões informadas sobre a sua saúde.


A utilização de ícones para a comunicação de informações de saúde pode ser uma solução para este problema, uma vez que são fáceis de reconhecer e compreender, mesmo para aqueles com baixa literacia em saúde. Lembra-te que cerca de 65% das pessoas são visual learners, ou seja, aprendem mais facilmente quando vêem a informação num formato gráfico. Além disso, os ícones podem ser utilizados para complementar o texto, tornando-o mais claro e fácil de entender. Por isso, quando produzires materiais informativos sobre saúde, considera a utilização de uma linguagem simples, complementada por recursos visuais como ícones.


Algumas das vantagens que a utilização de representações visuais podem trazer para pessoas com menor literacia em saúde são:

  • Melhor compreensão das instruções de saúde necessárias para a realização de uma cirurgia ou alta após internamento;

  • Melhor compliance com tratamentos farmacológicos, particularmente relevantes nas doenças crónicas;

  • Maior acesso a cuidados de saúde, nomeadamente para populações migrantes, com barreiras linguísticas marcadas;

  • Quando as informações são claras e fáceis de entender, as pessoas são mais propensas a participar ativamente na sua própria saúde e bem-estar.


As imagens exigem menos esforço cognitivo do que as palavras e podem facilitar a retenção e processamento de informações, a atenção e compreensão de informações de saúde.


O uso de ícones e outros recursos visuais é, sem dúvida, uma estratégia fundamental para reduzir as desiguldades no acesso a serviços e informações sobre saúde. E todos os profissionais têm uma responsabilidade acrescida em facilitar a comunicação com todos as pessoas.


Poster utilizado durante a pandemia de COVID-19 (eportugal.gov.pt)

O uso de ícones na sinalética dos serviços de saúde

Outro exemplo do uso de ícones na área da saúde é o uso de sinalética em hospitais para guiar pacientes e visitantes. Muitas vezes as pessoas sentem-se perdidas e intimidadas ao entrar em um hospital ou clínica. Depois de 6 anos a estudar no Hospital de Santa Maria, continuo a ter bastantes dificuldades quando lá vou. Longas filas, os corredores intermináveis e as informações complexas podem deixar qualquer um desorientado e ansioso, numa altura em que qualquer um de nós estará certamente mais fragilizado. Além disso, para pessoas com baixa visão ou mobilidade limitada, esses desafios tornam-se ainda maiores.

Os ícones podem ser facilmente compreendidos pelos pacientes, independentemente de sua literacia em saúde, e podem ajudar a reduzir a confusão e melhorar a experiência do paciente nos serviços de saúde. Podem ser projetados de forma personalizada para atender às necessidades específicas de cada serviço de saúde, garantindo maior clareza e eficiência na navegação.


A uniformização dos símbolos utilizados em serviços de saúde é outro elemento particularmente importante. O planeamento estratégico e atempado da sinalética, o envolvimento dos utilizadores, a testagem e análise de várias propostas são passos a ter em conta na construção de um conjunto de sinaléticas e orientações adaptadas às necessidades da população. Um exemplo interessante deste processo de implementação envolveu a criação de um conjunto de ícones universais nos E.U.A., envolvendo associações representativas de populações com baixa literacia. Recomendo a leitura atenta deste guia.


Numa situação de emergência o uso de ícones facilmente compreensíveis é ainda mais importante, dado que todos os segundos contam. A inclusão da ideia de movimento nos ícones é particularmnete importante, assim como o uso de sequências de ícones que exemplifiquem as ações que devem ser realizadas nesse contexto.


Avaliar um elemento aparemente banal, como o uso de sinalética num hospital ou clínica, é extremamente importante. Um serviço verdadeiramente centrado na pessoa deve envolvê-la na definição dos ícones a utilizar, as suas cores, dimensões e localização. Contudo, poucos o fazem. E ainda menos o fazem numa fase prévia à sua implementação.


Símbolos universais para cuidados de saúde (Hablamos Juntos, SEGD, Robert Wood Johnson Foundation).

Usar ícones para comunicar saúde pode ser arriscado?

Embora sejam uma ferramenta poderosa para superar limitações na literacia em saúde, é importante considerar os riscos e desafios envolvidos na utilização de ícones neste contexto.


O primeiro risco a ser considerado é o potencial de ícones confusos. Uma pequena variação na forma ou cor de um ícone pode ter um impacto significativo na sua capacidade de transmitir uma mensagem clara e precisa. Além disso, é importante lembrar que algumas pessoas podem ter dificuldade em compreender o significado de um ícone, especialmente se pertencerem a grupos culturalmente diferentes.


Outro risco importante é a falta de padronização de ícones em serviços de saúde. Embora existam esforços para criar conjuntos de ícones padronizados para uso em saúde, ainda há muita variação entre os diferentes sistemas e instituições. Isso pode levar a confusão e incerteza por parte dos pacientes e dos profissionais de saúde. A utilização de poucas palavras como complemento de ícones é um detalhe importante, que pode garantir a correta interpretação de um ícone.


Para além disso, os ícones devem ser projetados de maneira clara e fácil de serem lidos, especialmente para aqueles com alerações da visão. Já pensaste como as pessoas daltónicas vêem as indicações com cores nos hospitais? Além disso, é importante levar em conta a capacidade das pessoas com mobilidade limitada.


Em suma, o uso de ícones em serviços de saúde pode ser uma ferramenta valiosa para superar barreiras na literacia em saúde, mas também apresenta riscos e desafios importantes a serem considerados.



O que nos reserva o futuro?

Com a evolução da tecnologia, a forma como utilizamos ícones para transmitir informações está a mudar rapidamente. Alguma da ficção de hoje será realidade amanhã:

  • Ferramentas digitais Aplicativos, plataformas online e outros tipos de ferramentas digitais podem ser personalizados com ícones para ajudar os pacientes a compreenderem melhor a sua saúde, medicação e tratamentos;

  • Inteligência artificial Sistemas de inteligência artificial podem ser treinados para entender o significado de ícones específicos e utilizá-los para apresentar informações de forma mais clara;

  • Realidade virtual Os profissionais da saúde podem utilizar testar a utilização de ícones em diversos ambientes, mesmo antes da sua implementação.

  • Personalização A utilização de ícones personalizados pode ajudar a melhorar a compreensão dos pacientes, tornando-os mais envolvidos na gestão da própria saúde.

É importante que os profissionais da saúde estejam atentos a estas mudanças e saibam como aproveitar ao máximo as novas oportunidades para melhorar a comunicação com os pacientes.



Os websites que não sabias que precisavas (mas precisas!)

Há alguns websites que utilizo quase sempre que preciso de produzir materiais informativos:


Quem diria que havia tanto a dizer sobre ícones! Estás preparada/o para tornar a tua comunicação verdadeiramente icónica?

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